O autoconhecimento também traz solidão?
Sozinha.
Desenquadrada.
Uma das etapas mais dolorosas até à data, neste processo (contínuo) de descoberta pessoal, foi sentir-me sozinha. Desenquadrada.
A minha perceção das situações era diferente. Os meus pensamentos começavam a sofrer alterações. Os meus objetivos mudavam drasticamente. Os meus desejos já nada tinham a ver com os anteriores.
Era assustador e maravilhoso ao mesmo tempo. Olhar para a pessoa que eu era, a forma como me sentia e o progresso que havia feito.
No entanto, as minhas pessoas não estavam no mesmo caminho.
A minha família, os meus amigos, os meus colegas de trabalho, até o meu companheiro de vida.
Inicialmente, o primeiro impulso é achar que todos eles estão errados, que eles não estão a ver o quão maravilhoso o mundo pode ser desta perspetiva. E ficava irritada.
Como boa sagitariana que sou, tenho uma vontade ou necessidade enorme de partilhar com todos as minhas descobertas emocionantes, por querer que todos experimentem ou sintam os seus enormes benefícios ou vantagens.
Na verdade, durante muito tempo, isto aborrecia-me (sem nunca o partilhar).
Ficava frustrada por não conseguir ter espaço para conversar sobre estes tópicos. Por não lhes poder mostrar tudo o que ia descobrindo. As terapias. As ferramentas. As perspetivas. As mudanças.
Até que compreendi que esta era a minha jornada, não a deles.
Eu estava a fazer o Meu caminho.
Só poderia trabalhar ou mudar a forma como via ou reagia a cada situação neste caso, com cada um deles. O melhor que eu podia fazer por cada um deles não era tentar levá-los comigo, para a minha viagem.
A realidade é que o melhor que podia, e posso, fazer era dar-lhes uma melhor versão de mim.
Ouve: o melhor que podes fazer pelas tuas pessoas é dar o teu melhor exemplo.
Ninguém vai alcançar os seus sonhos seguindo o percurso de outra pessoa.
O que faz sentido e funciona para mim, não vai produzir os mesmos efeitos em ti.
Recordo muitas vezes uma conversa com a minha maravilhosa coach, sobre o longo e, por vezes difícil, processo da descoberta de nós mesmos. Eu desabafava sobre esta dificuldade e este sentimentos e ela falou da Jornada do Herói do Carl Jung., de uma fase chamada “provação”. Em que nos sentimos contra o mundo, numa jornada solitária, em que ninguém nos compreende, não temos qualquer companhia nesta caminhada.
A boa notícia é que esta etapa é sucedida da fase da “recompensa”, em que colhemos os frutos desta longa jornada.
Aqui, percebi que não era nenhuma extraterrestre, estava apenas a seguir a ordem natural de uma transformação.
Não, as minhas pessoas não mudaram, mas eu mudei e aprendi o suficiente para me conseguir adaptar e alcançar que essas diferenças também existem entre nós para nos forçar nessa evolução e para testar os nossos progressos.
É no desafio que percebemos se as nossas ferramentas realmente funcionam, por exemplo, se comprares umas botas para a chuva, nunca vais perceber se servem para a sua função se nunca as colocares nesse tipo de condições.
Hoje, um ano depois de ter escrito este desabafo, eu sinto que essa solidão é mesmo uma fase, é uma etapa da tua jornada.
Sim, vai passar!
Vais chegar a um lugar onde deixas de sentir solidão, deixas de sentir que estás sozinha e começas a encontrar pessoas maravilhosas nos lugares que agora ocupas ou frequentas, com o teu novo eu.
Por outro lado, é possível que consigas começar a ver e a encontrar outras similaridades e pontos em comum com as pessoas que já estavam na tua vida.
Porque, quando tu mudas, tudo à tua volta muda.
Na verdade, a tua cura é a cura dos outros.
A tua evolução é a evolução do outro.
Então, a solidão de um processo de autoconhecimento é real, pelo menos para mim foi.
Mas quero que saibas que passa. É mesmo uma etapa essencial para que também consigas fortalecer-te. Criar as bases da tua nova versão.
Se quiseres saber um pouco mais da minha história faz aqui o download do meu ebook “Ama-te & Transformarás a tua vida”, em que partilho um pouco sobre o meu percurso e algumas ideias para que não te percas de ti mesma e resgates o teu amor próprio.
Boas viagens!
AL